Ineditismo?!

Na última sexta feira, dia 07, São Paulo mais uma vez abriu as portas para o mundo através da arte. A cada edição da Bienal Internacional, o paulistano tem a sensação de estar diante do mundo inteiro, em detalhes, cores e novidades. Com quase 3 mil obras de 111 artistas do Brasil e do mundo, essa edição traz como chamariz o ineditismo de 75% de suas obras.

Mas nunca foi diferente. Seja nos artistas, nas obras ou nas artes cênicas, a Bienal sempre foi um show a parte de tudo o que se pode esperar de uma Mostra de arte. Entre os anos de 1990 e 1991 tive o prazer e a honra de participar como assessora de imprensa, de toda organização, montagem e divulgação da manifestação cultural mais incrível de todos os tempos. Sob curadoria de João Cândido Galvão, a 21ª edição da Bienal Internacional de São Paulo, escandalizou saindo do Parque do Ibirapuera e inundando a cidade com dezenas de manifestações artísticas, sem qualquer tipo de preconceito de linguagem de quem produziu as artes e de quem as recebeu e respirou. Foram 81 dias de êxtase cultural para os brasileiros e estrangeiros que acompanharam. O Brasil era visto como país de oitavo mundo e o sucateamento dos equipamentos de produção cultural era evidente naquele momento. A curadoria partiu para convocação de artistas nacionais e internacionais que primavam pela transgressão. Artistas sem receio de ultrapassar limites, ultrapassar fronteiras e desafiar a fim de satisfazer suas necessidades criativas. Assim, em uma atitude de extrema coragem e competência, João Candido fez diferença e imprimiu na história da Bienal o modelo de ineditismo. Núcleos de interesse foram detectados e os artistas criaram diálogos entre o público e a obra. Sem roubar espaço das artes visuais, a 21ª Bienal colocou as artes cênicas em pé de igualdade. A exposição virou um maravilhoso “Festival”. Assistir La Fura Dels Baus, Trilogia Grega sob direção de Andrei Serban, Denise Stoklos, La Organizacion Negra, entre outras maravilhas me fez vivenciar arte e respirar arte. Aquilo tudo nunca mais saiu de dentro de mim.  

Mesmo não querendo se tornar um modelo, a Curadoria fez da 21ª Bienal um marco na história, na minha vida e de milhares de pessoas.


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